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População se une contra proposta de Parque Nacional do Quiriri; entenda os motivos e possíveis impactos

 

Ideia é transformar quase 33 mil hectares de remanescentes contínuos de Mata Atlântica em uma unidade de conservação federal - FOTO: Turismo Campo Alegre



A proposta de criação do Parque Nacional das Serras do Araçatuba e Quiriri voltou a movimentar os debates no Norte de Santa Catarina e no Paraná nesta semana, após uma audiência pública realizada na terça-feira (16) em Campo Alegre — que reuniu moradores, produtores rurais, políticos e representantes legais para tratar da iniciativa do governo federal.

A ideia de transformar cerca de 32,7 mil hectares de remanescentes contínuos de Mata Atlântica em uma unidade de conservação federal — conduzida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) — tem como objetivo declarado preservar a biodiversidade, proteger nascentes de rios e os ecossistemas únicos da Serra do Mar. A área proposta incluiria porções de Joinville, Garuva e Campo Alegre (SC), além de Guaratuba e Tijucas do Sul (PR).

Mas, ao contrário do que muitos esperavam de um tema ambiental, a reação predominante entre os moradores dos municípios que seriam diretamente afetados é de oposição, e não de apoio.


Motivos da resistência popular

Na maioria das audiências realizadas para se discutir a iniciativa, dezenas de moradores — em sua maioria agricultores, pecuaristas e pequenos empresários rurais — demonstraram preocupação com os efeitos que a criação do parque pode causar sobre suas vidas e meios de subsistência.


Entre os principais pontos de crítica estão:

  • Risco de desapropriação de propriedades privadas, segundo produtores, caso suas terras caiam dentro dos limites da nova unidade de conservação.
  • Falta de diálogo direto e esclarecimentos objetivos do governo federal sobre os impactos sociais e econômicos, com moradores afirmando que foram “pegos de surpresa”.
  • Temor pela perda de autonomia produtiva – áreas que há décadas são usadas para agricultura familiar, pecuária de subsistência ou pequenas agroindústrias poderiam sofrer restrições rígidas de uso.
  • Questionamentos sobre a necessidade do parque quando existem Áreas de Proteção Ambiental (APAs) já instituídas, como a APA Serra Dona Francisca, que, segundo produtores e autoridades locais, preservam grande parte do território sem impor as mesmas limitações que uma unidade de conservação de proteção integral.
  • Preocupação com compensações justas em caso de desapropriações, lembrando casos anteriores que geraram longas batalhas judiciais e precatórios bilionários pendentes no país.

Essas preocupações têm levado moradores e políticos locais a criarem abaixo-assinados e manifestações públicas contrárias ao projeto.

 

Origem e tramitação da proposta

A iniciativa formal de criação da unidade de conservação remonta a movimentos e estudos apoiados por políticos e ambientalistas nos últimos anos. Deputados estaduais, como Goura (PDT-PR) e Marquito (PSOL-SC), apresentaram o pedido ao governo federal com o argumento de que as serras do Araçatuba e do Quiriri abrigam importantes remanescentes de Mata Atlântica e campos de altitude, além de nascentes essenciais para o abastecimento hídrico regional. O ICMBio tem conduzido os estudos de viabilidade técnica e ambiental, com a proposta ainda em fase preliminar de análise, antes da etapa formal de consulta pública nacional, prevista para o início de 2026.

 

O que está em jogo: preservação ambiental vs. desenvolvimento local

Os defensores da criação do parque argumentam que:

  • A unidade de conservação ajudaria a proteger um dos maiores corredores contínuos de Mata Atlântica no Sul do Brasil, um dos biomas mais biodiversos e ameaçados do mundo.
  • A proteção integral pode garantir a conservação de espécies raras e sensíveis, além de preservar as nascentes de rios que abastecem diversos municípios. Do outro lado, moradores, produtores e lideranças políticas locais sustentam que:
  • A atividade agrícola já garante preservação voluntária e legal, sem a necessidade de restrições impostas por um parque.
  • Regras de uma unidade de conservação de proteção integral podem reduzir a área produtiva disponível, afetando a economia rural familiar e o abastecimento de produtos locais.
  • A falta de planejamento sobre compensações financeiras e alternativas de uso do solo cria incertezas que podem desestimular investimentos e desenvolvimento regional.
  • Impactos possíveis na agricultura e na população.

Especialistas apontam que a criação de um parque nacional tem impactos diversos, dependendo de como é conduzida:

  • Uso restrito da terra: Unidades de conservação de proteção integral proibem atividades como agricultura comercial, pecuária e exploração florestal. Isso pode afetar propriedades rurais dentro dos limites definidos.
  • Valorização ambiental e turística: Por outro lado, áreas protegidas podem atrair turismo ecológico e investimentos relacionados à conservação.
  • Regulação sobre recursos hídricos: A proteção de nascentes pode melhorar a segurança hídrica no médio e longo prazo.
  • Aspectos sociais: A falta de um diálogo participativo pode gerar conflitos, insegurança jurídica e prejuízo à confiança entre governo e comunidades.
A área proposta incluiria porções de Joinville, Garuva e Campo Alegre (SC), além de Guaratuba e Tijucas do Sul (PR) - FOTO: Divulgação


 
O futuro da proposta

Enquanto o ICMBio segue com estudos técnicos, a expansão do debate público nas cidades envolvidas — e as manifestações contrárias — sinalizam que a discussão ainda está longe de ser concluída. A expectativa é de que a próxima etapa de consultas públicas e audiências locais, previstas para 2026, sejam decisivas para o rumo do projeto.

 

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