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Incêndios em estufas de tabaco acendem alerta na região durante período de secagem

 
Na região de Piên, no último domingo, Corpo de Bombeiros atendeu três ocorrências em pouco mais de 24 horas - FOTO: Corpo de Bombeiros de Piên


O período entre os meses de novembro e fevereiro, tradicionalmente marcado pela colheita e secagem do tabaco, volta a ser motivo de preocupação para produtores rurais e autoridades em Piên e região. Somente em pouco mais de 24 horas, o Corpo de Bombeiros de Piên atendeu três ocorrências de incêndio em estufas de fumo, todas com perda total do tabaco armazenado e danos estruturais às edificações.

Segundo informações repassadas pelos bombeiros, o primeiro incêndio ocorreu no domingo (pela manhã) na comunidade de Taquara Lisa, em Agudos do Sul. O segundo caso foi registrado durante a madrugada, em Lageado, quase na divisa com Rio Negro. Já o terceiro atendimento aconteceu na tarde de segunda-feira, na localidade de Aterrado do Alto. Em todas as situações, apesar de não haver feridos, os prejuízos materiais foram significativos.

 

Problema recorrente em regiões produtoras

Os incêndios em estufas não são casos isolados. Em Candelária (RS), importante polo fumageiro, os Bombeiros Voluntários registraram 17 ocorrências desta natureza até o fim de 2025. Há ainda relatos de ocorrências recentes – nos últimos dias - em municípios da região, como Monte Castelo, Itaiópolis e Canoinhas, reforçando que o problema se repete em diversas regiões produtoras do Sul do Brasil.

Mais uma das ocorrências de incêndio atendidas nos últimos dias pelo Corpo de Bombeiros de Piên


Estudos técnicos realizados por bombeiros e peritos apontam que esse tipo de ocorrência tende a se concentrar justamente no período de maior atividade das estufas, quando elas operam ininterruptamente por vários dias, sob altas temperaturas e, muitas vezes, com estruturas antigas ou mal conservadas.

 

Como funcionam as estufas e onde mora o risco

A secagem do tabaco é uma etapa essencial da produção e ocorre dentro das chamadas estufas de cura, onde as folhas passam por transformações físicas e químicas controladas. Nesse processo, a temperatura interna pode chegar a 70 °C ou mais, dependendo da fase da cura.

Existem basicamente dois modelos mais comuns de estufas:

  • Estufas tradicionais, que utilizam fornalha a lenha e dutos metálicos para condução do calor;
  • Estufas de ar forçado, que dependem de ventiladores e energia elétrica para manter a circulação adequada do ar quente.

De acordo com o estudo técnico, grande parte dos incêndios está relacionada a falhas humanas indiretas, como excesso de temperatura para acelerar a secagem, falta de manutenção dos dutos, acúmulo de folhas secas no interior da estufa, quedas de varas de fumo sobre tubulações aquecidas ou até interrupções no fornecimento de energia elétrica em estufas automatizadas.

 

Prejuízo alto para o produtor rural

Além do risco estrutural, o impacto financeiro é severo. Na maioria dos casos, todo o tabaco armazenado na estufa é perdido, comprometendo meses de trabalho da família produtora. Com o aumento no número de ocorrências em todo o país, as perdas se acumulam safra após safra, afetando diretamente a renda no meio rural. Dados nacionais citados no estudo indicam que centenas de estufas são atingidas por incêndios a cada safra, reforçando a necessidade de prevenção contínua e atenção redobrada nesse período crítico

 

Dicas de segurança para evitar incêndios

Especialistas e bombeiros destacam que medidas simples podem reduzir significativamente o risco de incêndios em estufas de fumo. Entre as principais orientações estão:

  • Manter distância mínima de segurança entre o tabaco e os dutos de condução de calor;
  • Realizar manutenção periódica em canos, fornalhas e sistemas elétricos;
  • Não ultrapassar as temperaturas recomendadas para cada fase da cura;
  • Evitar sobrecarga da estufa e não improvisar estruturas internas;
  • Limpar completamente a estufa antes de cada carregamento;
  • Utilizar telas de proteção sobre tubulações quentes;
  • Nunca abrir a porta da estufa com temperatura elevada, evitando entrada brusca de oxigênio.

Os bombeiros reforçam que, em áreas rurais mais afastadas, o tempo de resposta das equipes pode ser maior, o que torna a prevenção ainda mais fundamental.

 

Atenção redobrada na safra

Com Piên e municípios vizinhos em destaque na produção de tabaco, o momento é de alerta máximo aos produtores. A combinação de calor intenso, estruturas em uso contínuo e falhas operacionais cria um cenário propício para novos incêndios.

O Corpo de Bombeiros orienta que qualquer sinal anormal — como superaquecimento, cheiro de queimado ou falhas elétricas — deve ser tratado imediatamente, interrompendo o processo de secagem e acionando ajuda especializada. A prevenção, neste período, é a principal aliada para proteger a produção, o patrimônio e o sustento das famílias rurais.

 

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