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Mais de 90 mil crianças e adolescentes desapareceram no Brasil em cinco anos: um alerta urgente às famílias

Em 2025, mesmo com dados ainda parciais, foram registrados 7.331 ocorrências até abril
Foto criada com Inteligência Artificial


Por trás de cada número existe uma história interrompida, um quarto que ficou vazio, uma família presa à angústia da espera. Entre 2021 e abril de 2025, o Brasil registrou 90.256 casos de desaparecimento de crianças e adolescentes de 0 a 17 anos, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Do total contabilizado no período, 55,4 mil menores foram localizados, mas mais de 34 mil casos seguem sem solução. Em 2025, mesmo com dados ainda parciais, foram registrados 7.331 ocorrências até abril. Os anos anteriores também fecharam com números elevados: 22.103 casos em 2024, 20.333 em 2023, 21.848 em 2022 e 18.641 em 2021.

 

Números que podem ser ainda maiores

Os dados mais recentes não refletem a totalidade do problema. Estados como Alagoas e Rio de Janeiro não enviaram informações completas de abril de 2025, enquanto Goiás, São Paulo e o Distrito Federal repassaram dados incompletos. Como o sistema federal consolida apenas o que é informado pelas secretarias estaduais, o número real de desaparecimentos pode ser maior.

Relatórios estatísticos divulgados pelo Ministério da Justiça indicam que, apenas em 2022, 2.169 crianças desapareceram, uma média de seis casos por dia. A maioria era do sexo masculino (55,5%), e a Região Sudeste concentrou o maior índice, seguida pelo Sul, Nordeste, Centro-Oeste e Norte. No mesmo período, 1.237 crianças foram localizadas, com destaque para a Região Sul, que apresentou a maior taxa de localização.

 

Causas variadas e uma realidade complexa

Nem todo desaparecimento envolve sequestro por desconhecidos, mas todos exigem atenção imediata. As principais causas apontadas incluem conflitos familiares, subtração por um dos pais, uso de drogas, maus-tratos, abuso sexual e tráfico de pessoas, inclusive para fins de exploração e adoção ilegal. Estima-se que cerca de 3% dos casos estejam ligados a disputas parentais, quando um dos genitores foge com a criança sem o consentimento do outro. No cenário internacional, o Brasil é signatário da Convenção da Haia sobre o Sequestro Internacional de Crianças, mas ainda carece de legislação específica para lidar com a subtração internacional, que envolve centenas de casos.


Falhas estruturais dificultam a prevenção

Um dos maiores entraves no combate ao desaparecimento infantil é a ausência de um cadastro nacional unificado de pessoas desaparecidas, apesar de previsto em lei desde 2019. A fragmentação de informações dificulta respostas rápidas e coordenadas. Ainda assim, iniciativas da sociedade civil mostram resultados: organizações como a SOS Crianças Desaparecidas registram altos índices de localização, evidenciando a importância de ações integradas. Dados oficiais e relatórios anuais também podem ser consultados no Portal Gov.br.

 

Como prevenir o desaparecimento de crianças e adolescentes

Segundo dados divulgados pela Fundação Abrinq, a prevenção passa por informação, educação e vigilância ativa. Pais e responsáveis devem ensinar medidas básicas de segurança desde cedo, de forma clara e adequada à idade.

É fundamental orientar as crianças a não conversar com estranhos, não aceitar caronas ou presentes e manter informações pessoais em sigilo. Elas devem saber dizer seu nome completo, os nomes dos responsáveis, endereço e telefones importantes. Em locais com grande circulação de pessoas, o uso de pulseiras ou crachás de identificação pode ajudar. Hoje, também existem dispositivos de rastreamento, como relógios e colares, que auxiliam na localização caso a criança se perca.

A conscientização contínua ajuda a criança a reconhecer situações de risco e buscar ajuda quando necessário. Conversas frequentes sobre segurança, combinadas com acompanhamento da rotina — trajetos, horários e pessoas de convivência — reduzem vulnerabilidades.

Outro ponto essencial é agir rápido: não é necessário aguardar 24 horas para registrar o desaparecimento. O boletim deve ser feito assim que houver ruptura da rotina, presencialmente ou por meio eletrônico, e os familiares devem acionar imediatamente os canais de emergência.

 

Um alerta que precisa ser ouvido

Os números revelam uma realidade dura e silenciosa. Mais de 90 mil histórias interrompidas em cinco anos exigem atenção do poder público, das comunidades e, sobretudo, das famílias. Informar, prevenir e agir rapidamente pode fazer a diferença entre um reencontro e uma ausência sem respostas. O desaparecimento infantil não é apenas estatística — é uma urgência social que pede vigilância constante e responsabilidade coletiva.

 

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