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| Prefeito Paulo Curió e a Primeira-dama Eva Curió foram presos preventivamente - FOTO: Divulgação |
Turilândia (MA) — O município maranhense virou cenário de um dos maiores escândalos de corrupção da história local: todas as principais lideranças políticas da cidade — Executivo e Legislativo — foram presas, acusadas de integrar um esquema que desviou mais de R$ 56 milhões dos cofres públicos.
Na manhã de 22 de dezembro, o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), ligado ao Ministério Público do Maranhão (MPMA), deflagrou a Operação Tântalo II e cumpriu 51 mandados de busca e apreensão; 21 mandados de prisão decretados; Aproximadamente R$ 2 milhões apreendidos em um único endereço em São Luís.
As ordens foram autorizadas pela desembargadora Maria da Graça Peres Soares Amorim, da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Maranhão. O prefeito Paulo Curió (União Brasil) se entregou após dois dias foragido e agora cumpre prisão preventiva na Unidade Prisional de Ressocialização de Pedrinhas, em São Luís.
Presos preventivamente também foram:
- Eva Curió — primeira-dama e apontada como uma das operadoras financeiras do esquema;
- Vice-prefeita — também alvo de prisão;
- Ex-vice-prefeita Janaina Soares Lima, seu marido Marlon de Jesus Arouche Serrão;
- Contador da prefeitura, Wandson Jhonathan Barros;
- Diversos vereadores e ex-vereadores, totalizando prisões ou apresentações à Justiça.
Vereadores com prisão convertida
Embora todos os 11 vereadores da Câmara Municipal tenham sido alvos de mandados de prisão, a Justiça converteu algumas prisões para domiciliar ou uso de tornozeleira eletrônica, em medida que visa não paralisar totalmente a administração municipal enquanto um novo presidente da Câmara assume interinamente a Prefeitura.
O esquema e as acusações
Segundo o MPMA, o grupo teria atuado de forma articulada para desviar recursos durante a gestão de Curió, por meio de uma estrutura complexa de contratos fraudulentos com empresas — muitas delas de fachada — que serviam de “laranjas” para retirar dinheiro público. As principais acusações incluem: Organização criminosa; Fraude em licitação; Corrupção ativa e passiva; Peculato e lavagem de dinheiro.
Mais de R$ 56 milhões desviados
O Ministério Público calcula que o rombo causado aos cofres públicos ultrapasse R$ 56.3 milhões, e muitos dos contratos investigados envolvem alimentação escolar, prestação de serviços e fornecimento de bens essenciais ao município. A operação não mira apenas políticos: também são investigadas diversas empresas e agentes privados que teriam sido usados no esquema para viabilizar os desvios.
Impacto e repercussão
O caso expõe um quadro alarmante de corrupção sistêmica, envolvendo toda a estrutura de poder municipal de Turilândia, com figuras do Executivo e Legislativo acusadas de desviar recursos que deveriam ser aplicados em serviços públicos essenciais. Este é um dos episódios mais graves de irregularidades no Maranhão nos últimos anos e deve seguir gerando desdobramentos nos próximos meses.
