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| Cidadãos brasileiros estão padecendo diante de tantos impostos |
O peso dos impostos no bolso do brasileiro segue chamando a atenção em 2026. Somente até esta quarta-feira (25 de fevereiro), a população já desembolsou mais de R$ 694 bilhões em tributos, segundo dados do Impostômetro.
O número impressiona ainda mais quando analisado em conjunto com os dados divulgados pela Receita Federal: apenas no mês de janeiro, o governo arrecadou R$ 325,8 bilhões, o maior valor já registrado para todos os meses desde o início da série histórica, em 1995.
O resultado também representa um crescimento real de 3,56% em comparação com janeiro do ano passado, já descontada a inflação.
O que impulsionou a arrecadação
De acordo com a Receita Federal, o aumento da arrecadação está ligado principalmente a dois fatores: o crescimento da economia e mudanças recentes na política tributária.
Entre os destaques estão:
- Imposto de Renda sobre rendimentos de capital: R$ 14,68 bilhões (+32,56%)
- IOF (Imposto sobre Operações Financeiras): R$ 8 bilhões (+49,05%)
- Arrecadação previdenciária: R$ 63,45 bilhões (+5,48%)
- PIS/Pasep e Cofins: R$ 56 bilhões (+4,35%)
- Taxação de apostas online (“bets”): R$ 1,5 bilhão
Além disso, medidas adotadas nos últimos anos também contribuíram para elevar a arrecadação, como:
- Tributação de fundos no exterior (offshores)
- Taxação de compras internacionais (a chamada “taxa das blusinhas”)
- Retomada de impostos sobre combustíveis
- Reoneração da folha de pagamento
- Fim de benefícios fiscais para setores específicos
E mesmo assim, contas podem ficar no vermelho
Apesar da arrecadação recorde, o cenário fiscal ainda preocupa. A previsão é de que o governo federal registre um déficit de cerca de R$ 23,3 bilhões em 2026.
Isso ocorre porque parte das despesas pode ser retirada do cálculo oficial da meta fiscal, como os R$ 57,8 bilhões destinados ao pagamento de precatórios (dívidas judiciais).
Na prática, mesmo com números históricos de arrecadação, o governo pode continuar operando no vermelho ao longo do atual mandato presidencial.
Peso no bolso do brasileiro
Os dados reforçam uma percepção cada vez mais presente entre os brasileiros: enquanto a arrecadação cresce, a sensação de retorno em serviços públicos nem sempre acompanha o mesmo ritmo.
Com bilhões arrecadados em poucos meses, o debate sobre carga tributária, eficiência do gasto público e impacto na vida da população deve continuar em alta ao longo de 2026 — especialmente por se tratar de um ano eleitoral.

