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Câmara barra investigações que poderiam cassar prefeito afastado de Fazenda Rio Grande

 

Prefeito de Fazenda Rio Grande não será investigado pela Câmara de Vereadores
FOTO: Divulgação

A política brasileira, mais uma vez, mostrou que roteiro de filme às vezes parece documentário. Nesta segunda-feira (2), a Câmara Municipal de Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba, rejeitou a abertura de duas comissões investigativas que poderiam resultar na cassação do mandato do prefeito afastado Marco Antônio Marcondes (PSD).

O placar foi direto e sem suspense: 8 votos contra a abertura das investigações e 4 votos a favor. Com isso, os pedidos foram arquivados e o processo político dentro do Legislativo não irá adiante — pelo menos por enquanto.


Investigado, mas sem processo político

Marcondes é investigado pelo Ministério Público do Paraná, dentro da Operação Fake Care, conduzida pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado). Ele é suspeito de envolvimento em um esquema de corrupção e desvio de recursos públicos na área da saúde.

Apesar disso, a maioria dos vereadores entendeu que a Câmara deve aguardar o andamento do processo judicial. Em nota, o Legislativo municipal afirmou que o prefeito não possui condenação judicial definitiva, e que o caso ainda está em fase de apuração.

Na prática, a decisão política foi: deixa a Justiça cuidar disso… e a Câmara observa de longe.


Como votaram os vereadores

Votaram contra a abertura das investigações:

  • Michel Batata (PSD)

  • Fabiano Fubá (PSD)

  • Maciel (PL)

  • Joéliton Leal (PSD)

  • Professor Léo (Solidariedade)

  • Gilmar Petry (PL)

  • Thauana Padilha (PSD)

  • Esiquiel Franco (Republicanos)


Votaram a favor da investigação:

  • Caio Szadkoski (Solidariedade)

  • Fernandinho (PP)

  • Laco (PP)

  • Enfermeiro Zé Carlos (Republicanos)

O resultado frustrou quem esperava uma postura mais rigorosa do Legislativo diante das denúncias. Afinal, se não for para investigar, fica a pergunta que ecoa nas ruas: pra que serve a comissão investigativa, então?


Relembre o caso

O prefeito Marco Marcondes foi preso em 9 de outubro do ano passado, junto com outras quatro pessoas, após uma investigação que durou cerca de seis meses. Todos foram liberados no dia 23 do mesmo mês, mediante uso de tornozeleira eletrônica e outras medidas cautelares.

Segundo o MP-PR, os denunciados podem ter participado de um esquema de:

  • Organização criminosa

  • Contratação direta ilegal

  • Desvio de dinheiro público

  • Corrupção passiva majorada

O suposto esquema pode ter movimentado até R$ 30 milhões e envolveria municípios do Paraná e de Santa Catarina.

Entre os denunciados estão:

  • Marco Antonio Marcondes Silva – prefeito municipal

  • Francisco Roberto Barbosa – secretário da Fazenda

  • Samuel Antonio da Silva Nunes – sócio da empresa AGP Saúde

  • Alberto Martins de Faria – auditor do TCE-PR

  • Abrilino Fernandes Gomes – ex-chefe de gabinete

  • Angela Maria Martins de Faria – mãe de Alberto


Contratos sob suspeita

Dados do Portal da Transparência de Fazenda Rio Grande mostram três contratos da Secretaria de Saúde com a empresa AGP Saúde, dois firmados em 2024 e um em 2025, somando R$ 5.723.375,00, todos sem licitação e com o mesmo objeto: “Contratação de empresa especializada para testagem domiciliar de doenças pré-existentes com levantamento e análise estatística, mediante testes sanguíneos, de urina e físicos, atendendo a demanda dos Programas de Saúde Preventiva”. Segundo o MP, o modelo teria sido replicado de um esquema iniciado em Santa Catarina.


Política à brasileira

Com a decisão da Câmara, o processo de eventual cassação do prefeito fica fora da pauta política e segue apenas na esfera judicial. E assim, entre votos, notas oficiais e arquivamentos, a vida pública segue seu curso.

Para parte da população, fica a sensação de déjà vu: escândalo, investigação, prisão, soltura… e a política seguindo como se nada tivesse acontecido.

Enquanto isso, a pergunta que não quer calar continua no ar:
👉 Quem ganha quando a investigação não começa?

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