![]() |
| Em Piên e região mais de 50% da produção já foi colhida FOTO: Piên em Notícias |
Enquanto as colheitas de tabaco em Piên e região entram na reta final, muitos produtores seguem adotando uma postura cautelosa: estão segurando grande parte da produção nos paióis, aguardando a definição de um preço mínimo considerado justo para a safra 2025/2026.
Até o momento, três rodadas de negociação entre representantes dos fumicultores e empresas fumageiras foram encerradas sem acordo. O impasse mantém o clima de incerteza no campo, justamente em um momento decisivo para milhares de famílias que dependem da fumicultura.
Safra menor e clima adverso
De acordo com estimativas divulgadas pela Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), a safra 2025/2026 deverá ser menor que a anterior. A estimativa inicial aponta produção total de 685.274 toneladas no Sul do Brasil — redução em comparação ao ciclo 2024/2025.
O tipo Virgínia, que representa mais de 90% da produção sul-brasileira, pode alcançar 619.969 toneladas, queda de 4,35%. No Paraná, a previsão é de 169.864 toneladas (-1,40%). Já o Burley deve somar 54.979 toneladas (-7,80%) e o Comum 10.326 toneladas (-14,47%).
Além da redução estimada, muitos produtores enfrentaram perdas provocadas por tempestades com chuva de granizo, que devastaram lavouras em diferentes regiões produtoras. O clima mais úmido e as noites frias também impactaram o desenvolvimento das plantas em áreas pontuais.
Exportação em alta, produtor pressionado
Os números do mercado internacional chamam atenção. Em 2025, o preço médio do tabaco exportado pelo Brasil alcançou R$ 37,04 por quilo — o maior valor histórico já registrado, com aumento superior a 115% nos últimos quatro anos.
Por outro lado, no mercado interno, o preço médio pago ao produtor na safra 2024/2025 ficou em torno de R$ 20,45 por quilo, variando conforme o tipo e a classificação da folha (Virgínia, Burley e Comum).
A diferença entre o valor internacional e o preço pago diretamente ao fumicultor é um dos principais pontos de debate nas negociações atuais. Produtores defendem que o cenário externo favorável deve refletir em reajustes mais justos nas tabelas de preço mínimo.
Negociações seguem sem acordo
As discussões sobre a definição das tabelas de preço mínimo para 2025/2026 ocorreram dentro das Comissões de Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração (Cadecs), organizadas pela Afubra e demais entidades representativas.
Na safra anterior, houve acordos com empresas como a BAT e a JTI, que estabeleceram reajustes médios acima de 10% em determinadas classes do tabaco Virgínia e índices menores para o Burley. Esses exemplos demonstram que há espaço para convergência quando há diálogo e reconhecimento dos custos de produção.
Para 2026, os produtores esperam que as empresas considerem fatores como aumento de insumos, mão de obra, logística e os riscos climáticos enfrentados ao longo do ciclo.
Números que mostram a força da atividade
Mesmo com os desafios, a fumicultura segue como um dos pilares econômicos do Sul do Brasil. A safra 2024/2025 movimentou mais de R$ 14,5 bilhões na região.
Atualmente, são 135.985 famílias produtoras nos três estados do Sul. No Paraná, houve inclusive crescimento de 1,63% no número de famílias, totalizando 27.502 produtores.
A área plantada no estado foi de 83.834 hectares (-0,18%), enquanto a produtividade estimada aponta 2.240 kg/ha no Virgínia, 1.999 kg/ha no Burley e 2.192 kg/ha no Comum — todos com leve redução em relação ao ciclo anterior.
🌱 Esperança no campo
Em Piên e região, o sentimento predominante é de expectativa. Com a safra praticamente concluída e parte significativa da produção ainda armazenada nos paióis, muitos fumicultores aguardam um desfecho positivo nas negociações.
O entendimento entre produtores e indústria será determinante para garantir sustentabilidade econômica à atividade, que envolve milhares de famílias e movimenta bilhões de reais na economia regional.
Enquanto isso, o tabaco segue guardado — símbolo de uma safra marcada por desafios climáticos, impasses nas negociações e, acima de tudo, pela esperança de dias melhores no campo.
