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| Preço do tabaco para safra atual segue indefinido FOTO: Alexandre Carvalho - Piên em Notícias |
A incerteza continua tirando o sono dos fumicultores de Piên e de toda a região Sul do Brasil. Mesmo com a safra 2025/2026 caminhando para a reta final, ainda não há definição sobre a tabela de preços mínimos do tabaco, situação que preocupa milhares de famílias que dependem diretamente da atividade para garantir renda no campo.
Nesta segunda-feira (9), a Comissão Representativa dos Fumicultores voltou a se reunir com empresas do setor, em mais uma tentativa de avançar nas negociações. Participaram do encontro representantes da Afubra e das federações ligadas aos produtores, que receberam as empresas Alliance One, CTA e JTI.
Apesar do retorno das empresas à mesa e da sinalização de continuidade do diálogo, as propostas apresentadas ficaram abaixo do esperado e não houve assinatura de protocolo. Segundo a comissão, as avaliações seguem baseadas no custo real de produção, apurado tecnicamente em conjunto, além do histórico de negociações anteriores dentro do Sistema Integrado de Produção.
A representação dos produtores destacou que, no caso da JTI, houve evolução nas conversas e a expectativa é de que um consenso possa estar próximo. Mesmo assim, não houve acordo geral, e os produtores seguem sem uma referência concreta de preço.
Negociações se arrastam desde janeiro
Essa já é a terceira etapa de negociações sem definição.
📌 Janeiro (dias 19 e 20) – Primeira rodada terminou sem acordo. As propostas das empresas ficaram abaixo da variação do custo de produção. Algumas fumageiras sequer apresentaram oferta.
📌 3 fevereiro – Nova rodada foi marcada com a exigência de uma proposta “justa e digna”, fundamentada no custo de produção e na Lei da Integração. Mesmo assim, não houve avanço.
📌 9 de fevereiro – Mais uma tentativa frustrada. Apesar do diálogo aberto, os números apresentados não atenderam às expectativas dos produtores.
Uma nova rodada já está sendo agendada para sexta-feira, dia 13, com confirmação da presença da JTI e da BAT.
Produtores vivem clima de incerteza
Enquanto as negociações seguem indefinidas, a realidade no interior é de apreensão. Sem saber qual será o valor pago pelo produto, muitos agricultores estão optando por segurar o fumo no paiol, aguardando um possível reajuste mais significativo.
Nos últimos anos, os aumentos na tabela mal acompanharam a alta dos custos de produção — como adubos, defensivos, mão de obra e energia. Agora, com a safra praticamente encerrada, a ausência de um preço definido aumenta ainda mais a insegurança no campo.
Fumicultura é pilar da economia regional
Em Piên e nos municípios vizinhos, a fumicultura está entre as principais atividades agrícolas, movimentando a economia e garantindo sustento para milhares de famílias rurais. A definição da tabela de preços impacta diretamente o comércio local, a geração de renda e a estabilidade financeira das propriedades.
A comissão dos produtores reforça que o diálogo continua aberto, mas defende que qualquer acordo precisa respeitar critérios técnicos, a Lei da Integração e, principalmente, a sustentabilidade de quem está na ponta produzindo. Enquanto isso, o produtor segue trabalhando — e esperando.
