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Motorista de carreta desgovernada vira réu por 20 tentativas de homicídio em Chapecó

Grave acidente ocorreu em janeiro último, em Chapecó. Ao todo 10 pessoas ficaram feridas
FOTO: Divulgação


O motorista da carreta que provocou um grave acidente e atingiu diversos veículos em Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, tornou-se réu na Justiça e vai responder por 20 tentativas de homicídio. A informação foi confirmada pelo Tribunal de Justiça nesta quarta-feira (4).

O acidente aconteceu na tarde de 30 de janeiro, em um trecho movimentado da Avenida Fernando Machado, e deixou 10 pessoas feridas após a carreta desgovernada atingir vários carros.

A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) no final de fevereiro e aceita pela 1ª Vara Criminal da comarca de Chapecó na última quinta-feira (26). Conforme o órgão, o motorista tinha conhecimento das más condições mecânicas do veículo, mas mesmo assim decidiu seguir viagem, assumindo o risco de provocar uma tragédia.

Além da acusação criminal, o Ministério Público também solicitou à Justiça que o motorista pague R$ 971.370 por danos materiais, além de R$ 100 mil de indenização por danos morais para cada um dos 20 ocupantes dos veículos atingidos. A identidade do condutor não foi divulgada oficialmente, e a defesa dele não foi localizada.


Falhas graves na carreta

Segundo a investigação, a carreta – que pertence ao próprio motorista – transportava uma grande carga de madeira e já apresentava problemas mecânicos no trajeto entre Xaxim e Cordilheira Alta, cerca de 20 quilômetros antes de chegar a Chapecó.

O laudo pericial apontou que tanto o caminhão quanto o semirreboque estavam em mau estado de conservação, com falhas graves no sistema de freios, pneus em condições inadequadas e alterações irregulares na suspensão.

De acordo com os peritos, a falta de manutenção e a falha no sistema de frenagem foram determinantes para o acidente, que poderia ter sido evitado.


Condutor foi alertado antes do acidente

A investigação também revelou que, pouco antes do acidente, o motorista chegou a parar no acostamento. Na ocasião, ele contou com ajuda de outras pessoas e do Corpo de Bombeiros para controlar chamas e resfriar o veículo.

Mesmo assim, ele decidiu continuar a viagem. Conforme o Ministério Público, o condutor chegou a ser informado sobre a existência de uma oficina mecânica a menos de 500 metros do local, mas ignorou a recomendação e seguiu pela rodovia.


“Desprezo pela vida alheia”, diz promotoria

Na denúncia, a promotora de Justiça Júlia Ferreira Santos afirmou que o motorista agiu com “ganância e absoluto desprezo pela vida alheia”, ao priorizar a entrega da carga em vez da segurança das pessoas que trafegavam pela via.

Segundo a promotora, o fato de não haver mortes no acidente ocorreu por circunstâncias que não dependiam do motorista.

De acordo com o processo, o impacto não foi ainda mais grave porque parte da energia das colisões foi absorvida pela estrutura dos veículos atingidos, além do acionamento de dispositivos de segurança e manobras evasivas realizadas por algumas vítimas. O caso segue agora em tramitação na Justiça.

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