REGIÃO
A crise enfrentada por uma das marcas mais tradicionais do varejo brasileiro chegou com força à região. Lojas das Casas Bahia em São Bento do Sul, Joinville, Jaraguá do Sul e Canoinhas encerraram as atividades nos últimos dias, dentro de uma ampla reestruturação promovida pela companhia em meio ao processo de recuperação judicial.
Os fechamentos ocorreram principalmente entre quinta-feira (13) e sexta-feira (14) e fazem parte de uma estratégia nacional que prevê o encerramento de 298 unidades consideradas deficitárias.
A situação chama atenção especialmente pela velocidade com que a redução da operação física atingiu Santa Catarina. Segundo informações publicadas pela NSC Total e repercutidas por veículos regionais, 18 das 23 lojas existentes no estado teriam sido atingidas pelos fechamentos.
Além das unidades de São Bento do Sul, Joinville, Jaraguá do Sul e Canoinhas, a reestruturação também alcançou estabelecimentos em cidades como Blumenau e Criciúma e outras várias em todo Brasil.
São Bento do Sul perde unidade da rede
Em São Bento do Sul, a loja identificada como unidade 2456 estava entre os estabelecimentos incluídos na redução da chamada Regional 410, que abrangia também outras cidades catarinenses e paranaenses.
O encerramento representa mais um impacto econômico para o Planalto Norte catarinense, que recentemente vem acompanhando notícias envolvendo fechamento ou reestruturação de empresas e consequente preocupação com a manutenção de postos de trabalho.
Em Canoinhas, a unidade encerrou as atividades na sexta-feira (14). Antes de fechar definitivamente as portas, a loja publicou nas redes sociais uma mensagem de agradecimento aos clientes pela parceria construída ao longo dos anos.
Joinville também é atingida
Em Joinville, uma das duas unidades das Casas Bahia amanheceu fechada na sexta-feira. A loja funcionava na Rua XV de Novembro e um comunicado colocado na fachada informava aos consumidores sobre o encerramento.
A outra unidade, localizada na Rua do Príncipe, número 237, permanece em funcionamento, segundo as informações divulgadas até o momento.
A companhia reforça que, mesmo nas cidades atingidas pelo fechamento de lojas, os consumidores continuam podendo realizar compras pelos canais digitais.
Quase 300 lojas e milhares de empregos atingidos
A dimensão da reestruturação mostra a gravidade do momento enfrentado pela companhia.
Somente nesta nova etapa, 298 lojas estão sendo encerradas, o equivalente a aproximadamente 28,7% da estrutura física que a rede mantinha ao final de 2025, quando possuía 1.042 estabelecimentos.
Além disso, aproximadamente 3 mil trabalhadores teriam sido desligados em agosto em meio à nova rodada de cortes.
Apesar da redução, o grupo afirma que continuará operando com mais de 700 lojas físicas no Brasil, além do comércio eletrônico e dos demais canais de venda.
Dívida chega a R$ 17,3 bilhões
O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo, buscando reorganizar suas finanças e renegociar aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas.
Entre os fatores apontados para o agravamento da situação estão o elevado endividamento, juros altos, restrição de crédito, aumento da inadimplência e redução do consumo de bens duráveis.
O cenário é particularmente sensível para empresas do segmento de móveis, eletrodomésticos e eletrônicos, produtos tradicionalmente adquiridos por meio de financiamento e parcelamentos.
Com juros elevados, o crédito fica mais caro para os consumidores e também para as próprias empresas, pressionando as vendas e o caixa.
Problemas não começaram agora
A crise atual é resultado de um processo que vem se desenvolvendo há alguns anos.
Em 2023, a varejista iniciou um Plano de Transformação para reduzir despesas, melhorar a eficiência operacional e fortalecer a geração de caixa.
Na primeira etapa, aproximadamente 55 lojas deficitárias foram fechadas, enquanto cerca de 8,6 mil postos de trabalho foram eliminados. A empresa também reduziu estoques, investimentos e realizou ajustes em centros de distribuição.
No ano seguinte, em 2024, o grupo realizou uma recuperação extrajudicial que envolveu a renegociação de aproximadamente R$ 4,1 bilhões em dívidas.
As medidas, entretanto, não foram suficientes para eliminar as dificuldades financeiras.
Considerando as diferentes etapas da reestruturação desde 2023, os números divulgados apontam para aproximadamente 355 lojas fechadas e 11,6 mil postos de trabalho eliminados.
Digital cresce enquanto lojas físicas perdem espaço
Paralelamente ao fechamento de unidades físicas, o Grupo Casas Bahia pretende concentrar esforços no comércio eletrônico.
No primeiro trimestre de 2026, a companhia registrou aproximadamente R$ 8,8 bilhões em receita bruta consolidada, avanço de 6,4% em comparação com o mesmo período anterior.
As vendas digitais de produtos próprios cresceram 26%, enquanto as realizadas em lojas físicas apresentaram queda de aproximadamente 1,8%.
Os números ajudam a explicar a estratégia de manter uma rede física menor e ampliar a participação dos canais digitais.
De mascate a gigante nacional do varejo
A dimensão da crise ganha ainda mais relevância diante da história das Casas Bahia. A empresa nasceu em 1952, em São Caetano do Sul (SP), pelas mãos do imigrante polonês Samuel Klein, que começou trabalhando como mascate e vendendo produtos de porta em porta.
Em 1957, abriu sua primeira loja física. O nome Casas Bahia foi escolhido como uma homenagem aos migrantes nordestinos, especialmente baianos, que estavam entre seus principais clientes.
Um dos pilares do crescimento da empresa foi justamente o crediário próprio, que permitiu às famílias de menor renda comprar móveis e eletrodomésticos parcelados mesmo quando tinham pouco acesso ao sistema bancário tradicional.
Nas décadas seguintes, a Casas Bahia transformou-se em uma das marcas mais conhecidas do Brasil e em uma gigante do varejo nacional.
Cenário ainda gera preocupação
O fechamento simultâneo de centenas de unidades mostra que a transformação da empresa está longe de ser apenas uma mudança pontual.
Para as cidades atingidas, o impacto vai além da perda de uma tradicional loja do comércio. Os cortes também significam redução de postos de trabalho e deixam trabalhadores apreensivos diante da possibilidade de novos ajustes durante a recuperação da companhia.
A expectativa agora se volta para os próximos passos do processo de recuperação judicial e para a capacidade do grupo de equilibrar seu endividamento, preservar as unidades consideradas sustentáveis e manter empregos.
Enquanto isso, em cidades da região como São Bento do Sul, Canoinhas, Joinville e Jaraguá do Sul, as portas fechadas das antigas unidades tornam visível uma das maiores reestruturações da história recente do varejo brasileiro.
Com informações do portal Nossas Notícias, NSC Total e dados divulgados pelo Grupo Casas Bahia.
