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| P-79 é a oitava plataforma do campo de Búzios, localizado no pré-sal da Bacia de Santos FOTO: Petrobras/ Divulgação |
Estatal praticamente dobra lucro em um ano e alcança um dos maiores resultados trimestrais de sua história; números reacendem debate sobre por que um país que bate recordes na produção de petróleo ainda convive com combustível caro para o consumidor
Enquanto milhões de brasileiros fazem as contas antes de completar o tanque do carro, a Petrobras encerrou o segundo trimestre de 2026 com um dos maiores resultados financeiros de sua história.
A companhia registrou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões entre abril e junho, crescimento de 97% em relação ao mesmo período de 2025.
O resultado chama ainda mais atenção quando colocado ao lado dos números operacionais da estatal: a Petrobras bateu recordes de produção de petróleo, aumentou a utilização das refinarias e reduziu significativamente a necessidade de importar derivados.
E é justamente aí que surge uma pergunta inevitável para quem chega ao posto de combustível:
Se o Brasil produz cada vez mais petróleo e a Petrobras registra resultados bilionários, por que abastecer continua pesando tanto no bolso do brasileiro?
Produção de petróleo bate recorde
Os números apresentados pela Petrobras mostram uma companhia operando em ritmo acelerado. A produção própria de petróleo no Brasil chegou a 2,7 milhões de barris por dia, avanço de 15% na comparação anual.
Considerando óleo e gás natural, a produção total atingiu 3,34 milhões de barris de óleo equivalente por dia, enquanto a produção total operada alcançou 4,87 milhões.
Somente no pré-sal, a produção própria chegou a 2,78 milhões de barris de óleo equivalente por dia. O campo de Búzios também alcançou uma marca histórica: 1,219 milhão de barris por dia de produção operada em 26 de junho.
Parte desse petróleo seguiu para o exterior. As exportações da companhia chegaram perto de 1 milhão de barris por dia no trimestre.
Refinarias também operaram em níveis históricos
Não foi apenas a extração de petróleo que cresceu. O parque de refino da Petrobras atingiu 101,2% de Fator de Utilização no segundo trimestre, com picos de 102,5% em abril e maio.
A produção de derivados chegou a aproximadamente 1,9 milhão de barris por dia, crescimento de 5,6% em relação ao primeiro trimestre.
Foram produzidos, em média, 509 mil barris por dia de diesel S10, além de 109 mil barris diários de querosene de aviação.
Com mais derivados sendo produzidos internamente, as importações caíram 40% em comparação com o trimestre anterior.
Ou seja: o Brasil produziu mais petróleo, suas refinarias trabalharam em níveis elevados e a necessidade de importar derivados diminuiu.
Segundo a Petrobras, a combinação entre aumento da produção, maior volume de derivados e valorização do petróleo Brent contribuiu diretamente para o resultado.
A companhia também aprovou R$ 17,4 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio, que serão distribuídos entre acionistas públicos e privados.
Por outro lado, a Petrobras também representa uma importante fonte de recursos para os cofres públicos. Somente no segundo trimestre, foram R$ 88,6 bilhões pagos em tributos e participações governamentais, cerca de R$ 22 bilhões a mais do que no mesmo período do ano passado.
Mas por que a gasolina não fica simplesmente barata?
É neste ponto que a discussão exige uma explicação importante. O preço que aparece na bomba não corresponde apenas ao custo de produzir petróleo ou ao lucro da Petrobras.
Desde 2002, o Brasil adota regime de liberdade de preços para combustíveis. O valor final envolve diferentes componentes ao longo da cadeia, incluindo preço do produto nas refinarias e importadores, tributos, custos relacionados ao etanol anidro misturado à gasolina, distribuição, transporte e margem dos postos.
Por isso, mesmo uma redução promovida pela Petrobras não necessariamente chega integralmente — ou imediatamente — ao consumidor.
Da mesma maneira, lucro elevado da estatal não significa automaticamente que exista margem equivalente para cortar o preço final da gasolina, já que são variáveis diferentes dentro de uma cadeia complexa.
Mas os números ajudam a explicar por que o assunto provoca tanta discussão. Para o consumidor, é difícil ignorar o contraste entre recordes de produção, refinarias operando em alta capacidade e dezenas de bilhões de reais de lucro, enquanto abastecer o veículo continua representando uma parcela significativa do orçamento familiar.
Outro ingrediente entrou recentemente nessa discussão. Desde 1º de agosto de 2026, a gasolina comum comercializada no Brasil passou temporariamente de E30 para E32, ou seja, passou a contar com 32% de etanol anidro na mistura.
A decisão foi aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e tem caráter excepcional, com duração prevista de 180 dias.
É importante destacar, entretanto, que uma gasolina possuir 32% de etanol não significa tecnicamente que ela seja adulterada ou de baixa qualidade. Trata-se de uma composição estabelecida oficialmente e submetida às especificações e à fiscalização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
A discussão sobre o E32 envolve outros aspectos, como eficiência energética, autonomia dos veículos, emissões, produção nacional de biocombustíveis e redução da dependência de componentes fósseis.
