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Brasil terá novas regras para uso de redes sociais por menores de idade a partir de 2026; veja o que muda

 

As novas regras não chegam a proibir o acesso de menores, como acontece na Austrália, mas estabelecem um conjunto de medidas rigorosas para tornar o uso das plataformas mais seguro e monitorado

A partir de março de 2026, o Brasil dará um passo histórico na proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital. Entra em vigor o chamado ECA Digital, popularmente conhecido como Lei Felca — legislação criada após grande repercussão de um vídeo que denunciava a adultização de menores nas redes sociais, levantando um debate urgente sobre segurança, privacidade e saúde mental dos jovens.

As novas regras não chegam a proibir o acesso de menores, como acontece na Austrália, mas estabelecem um conjunto de medidas rigorosas para tornar o uso das plataformas mais seguro e monitorado. O foco é claro: proteger crianças e adolescentes de conteúdos nocivos, como exploração sexual, pornografia, violência, jogos de azar, estímulo ao consumo de drogas e outros riscos presentes no ambiente online.


Fim da autodeclaração de idade

A primeira mudança é imediata: as plataformas estão proibidas de utilizar apenas o “clique” onde o usuário declara ter mais de 18 anos. Segundo as autoridades, esse método é frágil, facilmente burlado e não garante nenhum tipo de verificação real.

Para substituir esse sistema, as redes sociais deverão implementar métodos mais robustos, como:

- Análise de comportamento: a plataforma estima a idade com base no uso, histórico e navegação;

- Selfie obrigatória: uma foto do usuário permitirá que sistemas de IA façam reconhecimento facial e definam uma idade aproximada;

- Envio de documentos: poderá ser solicitado RG, CNH ou outros documentos com foto, acompanhados de uma selfie para comparação.

Esses processos serão acompanhados pelo Ministério da Justiça e outros órgãos. Quem não cumprir as regras poderá enfrentar multas de até 10% do faturamento ou R$ 50 milhões por infração, além de risco de ser proibida de operar no país.


Vinculação obrigatória às contas dos pais

Outra mudança importante:

se a plataforma identificar que o usuário tem menos de 16 anos, o perfil deverá ser obrigatoriamente vinculado ao de um responsável legal.

Essa vinculação permitirá maior controle sobre:

- Conteúdos acessados;

- Interações;

- Configurações de privacidade;

- Limitação de horários de uso e outras restrições que visam a segurança do menor.


Barreiras para conteúdos sensíveis

A verificação de idade não será exigida apenas no cadastro. Ela deverá aparecer toda vez que o usuário tentar acessar conteúdos considerados de risco, como:

- violência;

- exploração sexual;

- jogos de azar e apostas;

- estímulos a bebidas alcoólicas ou drogas;

- comunidades que possam gerar gatilhos emocionais ou riscos à saúde mental.

Se houver indícios de que o usuário é menor, o acesso será bloqueado ou redirecionado para ambientes seguros.


Regras também valem para lojas de aplicativos

Além das redes sociais, outros serviços digitais também terão responsabilidades:

- App Store e Google Play deverão verificar a idade de quem tenta baixar determinados aplicativos;

- Sistemas operacionais como Android, iOS e Windows terão que incorporar ferramentas de checagem.

- Toda a aplicação dessas normas será fiscalizada pela ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados).


Um novo cenário digital para famílias brasileiras

Com o ECA Digital, o Brasil começa a construir um ambiente mais seguro para jovens na internet. A legislação reconhece que o mundo online faz parte da vida das novas gerações, mas reforça que é dever do Estado, das plataformas e das famílias garantir que esse uso seja saudável e protegido.

As mudanças exigirão adaptação das empresas, atenção dos pais e diálogo com os adolescentes. O objetivo final é um só: reduzir riscos e promover um ambiente digital mais responsável e seguro para milhões de jovens brasileiros.

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