Piên em Notícias

Proposta de criação de parque nacional entre SC e PR gera debate e avança com diálogo em Campo Alegre

Proposta do Parque Nacional Serras do Araçatuba e Quiriri ajudaria a proteger maior contínuo florestal de Mata Atlântica - FOTO: ICMBio


Um tema que vem movimentando debates, especulações e diferentes posicionamentos em toda a região Sul do Brasil é a possível criação do Parque Nacional Serras do Araçatuba e Quiriri, que poderá se tornar o 76º parque nacional brasileiro. A proposta prevê uma área aproximada de 32,7 mil hectares, equivalente ao tamanho de Belo Horizonte, abrangendo territórios de Campo Alegre, Garuva e Joinville, em Santa Catarina, além de Guaratuba e Tijucas do Sul, no Paraná.

Nesta sexta-feira (12), a discussão ganhou um novo capítulo em Campo Alegre. A Prefeitura Municipal recebeu a equipe do ICMBio, órgão responsável pela proposta, para a apresentação oficial do projeto e esclarecimento das etapas do processo. O encontro contou com a presença de representantes do poder público local, incluindo o prefeito Rubens Blaszkoski, e foi descrito pela administração municipal como uma conversa produtiva e transparente.

Durante a reunião, técnicos do ICMBio explicaram que a criação da Unidade de Conservação tem como principais objetivos a proteção da Mata Atlântica, a preservação de áreas estratégicas de recarga hídrica e o fortalecimento do turismo sustentável na região. Segundo o órgão, o parque pode gerar benefícios ambientais e também impactos positivos na economia local, especialmente ligados ao ecoturismo e à valorização do território.

A Prefeitura de Campo Alegre destacou que, atendendo a uma solicitação do município, ficou agendada uma segunda reunião, desta vez com os proprietários das áreas envolvidas, marcada para terça-feira, dia 16 de dezembro, às 10h, no Espaço Cultural. A administração reforçou seu compromisso com o diálogo e a transparência ao longo de todo o processo.


Área estratégica para biodiversidade e segurança hídrica

Localizada na divisa entre Santa Catarina e Paraná, a região proposta para o parque integra o maior contínuo preservado de Mata Atlântica do Brasil, reunindo campos de altitude, florestas com araucárias, formações rochosas e inúmeras nascentes. Trata-se de uma área considerada prioritária para conservação, que abriga espécies ameaçadas, como a araucária, o papagaio-de-peito-roxo, a onça-parda e plantas raras típicas de campos de altitude.

As águas que nascem nas montanhas da área proposta alimentam importantes bacias hidrográficas da região - Foto ICMBio


Um dos pontos centrais da proposta é a segurança hídrica. As montanhas da região alimentam nascentes que contribuem para as bacias dos rios Cubatão e Negro, fundamentais para o abastecimento de municípios como Joinville, Mafra e Rio Negro.


Avanços, conflitos e próximos passos

Embora a proposta esteja em estágio avançado de análise, ainda há etapas obrigatórias a serem cumpridas. As consultas públicas, fundamentais para a criação de qualquer Unidade de Conservação, estão previstas para ocorrer no primeiro semestre de 2026.

Entre os pontos que geram preocupação e controvérsia está a atividade minerária. Levantamentos do ICMBio apontam a existência de processos de mineração dentro e no entorno da área proposta, incluindo lavra de caulim e pedidos de pesquisa para outros minérios. Além disso, o desenho do parque se sobrepõe parcialmente a Áreas de Proteção Ambiental (APAs) já existentes, o que pode elevar o grau de proteção dessas áreas para o modelo de proteção integral.

Por outro lado, o ICMBio destaca o potencial turístico da região. Inserido na Grande Reserva da Mata Atlântica e próximo a grandes centros urbanos, o parque pode se consolidar como destino para trilhas, montanhismo e observação de aves, fortalecendo o turismo de natureza nos municípios do entorno.

Com articulação política em andamento e diálogo com comunidades locais, o debate sobre o Parque Nacional Serras do Araçatuba e Quiriri segue aberto — unindo conservação ambiental, desenvolvimento regional e a necessidade de ouvir todos os setores envolvidos.

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem
Piên em Notícias

Formulário de contato