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Agricultores estão cada vez mais desanimados em cultivar tabaco

 

Agricultores estão decepcionados com reajuste de pouco mais de 7% para safra atual (2025/20226)
FOTO: Piên em Notícias

Todo ano é a mesma coisa. Produtores de tabaco Piên à fora aguardam por um reajuste justo na tabela de preços, que cubra ao menos o aumento do custo de produção, porém, isso nunca acontece. Como já era de se esperar, na última sexta-feira a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) anunciou após três tentativas de se chegar a um acordo com as empresas fumageiras, que a tabela para a safra 2025/2026, teve reajuste de 7,06% para o tipo Virgínia e de 6,56% para o tipo Burley.

O reajuste vem sendo bastante criticado por produtores e entidades que defendem os interesses dos agricultores. Isso porque o percentual não cobre se quer os custos de produção que não param de aumentar e em grande escala. Além disso, em 2025, de janeiro a novembro, as exportações brasileiras ultrapassaram impressionantes US$ 3,002 bilhões, o melhor desempenho dos últimos 10 anos.

O curioso é que o preço médio pago pelo quilo do tabaco exportado pelo Brasil atingiu R$ 37,04 entre janeiro e julho de 2025, o maior valor da série histórica acompanhada pela Secretaria Federal de Comércio Exterior. Enquanto isso, produtores em todo Brasil seguem amargando reajustes que mal cobrem as despesas de produção.

O resultado de tamanho desamparo e falta de incentivo está refletindo conforme Agnaldo Martins, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Piên, no abandono, principalmente da ala mais jovem, do cultivo do tabaco. “É o caso de muitos jovens de Piên e região, que estão preferindo ir trabalhar na indústria e abandonando a cultura do tabaco”, explica.

Agnaldo diz que como entidade representativa dos agricultores está indignado com essa situação do preço do tabaco. “Houve reajuste, mas muito abaixo do esperado. Ficamos indignado porque é feito um levantamento de custo de produção durante todo ano, onde a Afubra e as entidades, sindicatos e as próprias empresas acompanham esse custo de produção. Ai na hora de discutir o preço negam. Dizem que não precisa tudo aquilo de aumento. Ficamos indignado com isso, as empresas não estão dando o devido valor aos produtores”, salienta.

O presidente entende que não existe nenhum sistema integrado, pelo menos na fumicultura, como muito vem se afirmando no setor. “Sistema integrado é quando os dois lados ganham junto. Mas nessa situação ai as empresas não estão levando os produtores a sério. Acham que não precisam dos produtores e estão desestimulando cada vez mais, principalmente os jovens, a trabalharem com tabaco. Basta a situação dos grãos melhorar um pouco e muitos agricultores irão abandonar o plantio do tabaco”, afirma.

Por fim Agnaldo, que também cultiva tabaco, afirmou que nas atuais condições não dá. “Os produtores fazendo de tudo para produzir e colher um produto de qualidade, mas ai as empresas não valorizam. É muito triste. Os produtores trabalham desanimados pois sabem que o reajuste não vai cobrir nem o aumento do custo de produção. Tem empresas que apresentaram propostas de reajuste que chega ser um absurdo, parece que tão tirando sarro dos produtores”, finalizou.

 

Produtores desanimados

A reportagem do Piên em Notícias conversou com alguns produtores de Piên e região sobre o reajuste na tabela. A grande parte dos produtores não gostam de falar sobre o tema temendo retaliações por parte das empresas, porém, o descontentamento é visível. Eles reclamam que os custos de produção não param de aumentar, diesel, insumos, fertilizantes e a mão de obra que se paga para a colheita do tabaco são alguns dos fatores apontados pelos produtores.

 

Protagonismo mundial

O Brasil é protagonista quando o assunto é fumicultura. Essa posição de prestígio não veio por acaso, é fruto de um trabalho constante, de excelência na produção e de um mercado internacional cada vez mais atento à qualidade do fumo brasileiro. O Brasil ocupa atualmente o segundo lugar na produção de tabaco, perdendo apenas para China. Porém, quando o assunto é exportação, o Brasil é líder absoluto há mais de três décadas. Um feito que envolve as mais de 138 mil famílias produtoras, que apesar dos resultados e todo os esforços nas lavouras, ficam com a menor parte, ou diga-se de passagem quase nada, desta cadeia produtiva. Os principais destinos do fumo produzido no Brasil são Bélgica, China, Indonésia, Estados Unidos e Turquia.

 

Sobre o preço do tabaco

O novo preço mínimo do tabaco, apresentado na última sexta-feira, foi anunciado após reunião da Comissão Representativa dos Produtores de Tabaco que assinou, na sexta-feira, o protocolo de negociação com a empresa JTI, durante reunião realizada na sede da Afubra, em Santa Cruz do Sul/RS. O acordo estabelece reajuste linear na tabela de preços mínimos do tabaco para a safra 2025/2026, sendo de 7,06% para o tipo Virgínia e de 6,56% para o tipo Burley.

A comissão explica que a decisão de aceitar a proposta apresentada pela JTI está vinculada ao entendimento de que as tratativas avançaram nesta rodada e se mostraram compatíveis com a condução técnica adotada ao longo do processo. Desde o início das negociações, a representação dos produtores tem reafirmado que suas avaliações se mantêm ancoradas no parâmetro do custo de produção apurado em conjunto e no histórico recente das tratativas, que em diferentes momentos permitiu avanços acima do custo estimado. Nesse contexto, a proposta da JTI foi considerada resultado de uma evolução no diálogo, preservando a lógica negocial e os fundamentos do Sistema Integrado de Produção.

Na mesma agenda, a empresa BAT compareceu pela primeira vez, com proposta, à mesa de negociação com a comissão na atual safra, mas o percentual de reajuste proposto para a tabela não foi aceito por ser abaixo do esperado pela comissão, além de não ser linear, ou seja, não contemplar todas as classes da mesma forma.

As entidades ressaltam que esperam que, tanto a BAT quanto as demais empresas fumageiras, revejam suas propostas, em conformidade com o que estabelece a Lei nº 13.288/2016 (Lei da Integração) e reforçam que permanecem abertas ao diálogo, desde que as tratativas avancem com base em critérios técnicos e respeito aos fundamentos do Sistema Integrado.

A Comissão Representativa dos Produtores de Tabaco é formada pela Afubra e pelas Federações da Agricultura (Farsul e Faesc) e dos Trabalhadores Rurais (Fetag, Fetaesc e Fetaep) do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

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