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Caso Orelha: MPSC pede exumação do cão para nova perícia e caso repercute até no Congresso Nacional

O cão comunitário Orelha foi morto com uma forte pancada na cabeça - Foto: Divulgação

O caso da morte do cão comunitário Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis, continua gerando forte comoção e desdobramentos em todo o Brasil. Nos últimos dias, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) solicitou à Justiça a exumação do corpo do animal para a realização de uma nova perícia, além de pedir o aprofundamento das investigações.

A medida foi protocolada na segunda-feira (9) pelas 10ª e 2ª Promotorias de Justiça da Capital, após análise do inquérito policial e dos boletins de ocorrência relacionados ao caso.


Nova perícia e investigação sobre possível coação

Segundo o MPSC, a exumação é necessária para permitir uma perícia direta, considerada fundamental para esclarecer detalhes sobre a morte de Orelha. As promotorias também solicitaram novos depoimentos para apurar se houve algum tipo de coação durante o andamento do caso.

O Ministério Público reforçou que o processo ainda está em fase investigatória e que o sigilo processual foi restabelecido, já que há envolvimento indireto de adolescentes.

Também foi pedido o aprofundamento de diligências relacionadas a quatro boletins de ocorrência, incluindo a análise de vídeos com possíveis registros de maus-tratos e outras ocorrências envolvendo os cães da região.


Caso chega ao Congresso e motiva projetos de lei

A repercussão da morte de Orelha ultrapassou Santa Catarina e chegou ao Congresso Nacional. O caso motivou a apresentação de 25 projetos de lei na Câmara dos Deputados, muitos deles propondo mudanças na legislação para punir adolescentes que pratiquem violência extrema contra animais.

Tema vem sendo amplamente debatido no Congresso Nacional 


Um dos destaques é o PL 41/26, da deputada Rosana Valle, que prevê a internação de criança ou adolescente que cometer ato de extrema crueldade contra a vida de um animal. O projeto altera o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e teve pedido de urgência aprovado no plenário.

Outro projeto é o PL 48/26, do deputado Zacharias Calil, que também prevê internação nos casos em que o ato infracional análogo a maus-tratos resulte na morte do animal.

Já a deputada Maria do Rosário apresentou o PL 161/26, conhecido como “Lei Cão Orelha”, que reconhece cães e gatos domésticos como seres sencientes, ou seja, capazes de sentir dor e emoções, e busca incluir esse entendimento no Código Civil.

Atualmente, o ECA prevê internação de adolescentes apenas quando o ato infracional envolve grave ameaça ou violência contra uma pessoa, não mencionando diretamente os animais.


Orelha, o cão da comunidade

Orelha era conhecido como cão comunitário e recebia cuidados de moradores da Praia Brava. A morte do animal ocorreu no dia 4 de janeiro e, desde então, o caso gerou indignação nacional. Cinco adolescentes são suspeitos de envolvimento nas agressões, sendo que um deles já foi formalmente acusado pela polícia.

O caso segue em investigação e continua mobilizando a sociedade, autoridades e parlamentares, reacendendo o debate sobre maus-tratos a animais e a responsabilização de adolescentes em casos de violência extrema.

A Justiça determinou prazo de 20 dias para a realização das novas diligências. Após isso, o material será novamente analisado pelas promotorias, que deverão adotar as providências cabíveis.

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