A proposta de acabar com a escala de trabalho 6x1 — modelo em que o trabalhador atua seis dias seguidos e descansa apenas um — voltou a ganhar força no cenário nacional e promete ser um dos temas mais debatidos ao longo de 2026.
Nesta segunda-feira (23), o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que a medida é uma das prioridades do governo federal. A proposta defendida pelo governo, em conjunto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, prevê a substituição da escala atual por um modelo de até 5x2, garantindo no mínimo dois dias de descanso por semana, além da redução da jornada máxima para 40 horas semanais, sem redução salarial.
As declarações de Boulos vieram durante participação na estreia do programa Alô Alô Brasil, da Rádio Nacional, veículo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Boulos disse que há muita resistência de empresários contra a medida, mas que já era esperado, à exemplo de outros avanços históricos como a implantação do salário mínimo, do 13º salário ou férias remuneradas. “O trabalhador precisa ter mais qualidade de vida. A ideia é garantir dois dias de descanso e reduzir a carga horária sem cortar salários”, explicou o ministro durante entrevista.
Mesmo diante da resistência, o ministro comparou a discussão com outros avanços trabalhistas históricos no Brasil, como a criação do salário mínimo, do 13º salário e das férias remuneradas. “Eu nunca vi patrão defender aumento de direito do trabalhador. Ele sempre vai ser contra, sempre vai contar um monte de lorota dizendo que vai acabar [com a economia]. O fato é que tudo isso foi aprovado historicamente no Brasil e a economia não ruiu”, afirmou.
Resistência do setor empresarial
Apesar do apoio de parte da população e de setores ligados aos trabalhadores, a proposta enfrenta forte resistência por parte do empresariado e vem gerando forte debate. Por outro lado, segundo um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a redução da jornada pode gerar um impacto significativo nos custos das empresas. A estimativa aponta um aumento entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões por ano na folha de pagamento.
Esse valor representa um acréscimo de até 7% nos custos com trabalhadores formais, considerando dois cenários: pagamento de horas extras aos atuais funcionários ou a contratação de novos colaboradores para suprir a demanda.
Tema deve dominar o debate político em 2026
A proposta de mudança na jornada de trabalho não deve ficar apenas no campo técnico. A expectativa é de que o assunto ganhe ainda mais força ao longo do ano, influenciando diretamente o cenário político e as discussões eleitorais de 2026. A possível mudança pode impactar milhões de trabalhadores em todo o país, alterando rotinas, relações de trabalho e até a produtividade das empresas.
E na nossa região?
Embora o debate aconteça em nível nacional, os reflexos podem ser sentidos diretamente em cidades como Piên, São Bento do Sul e toda a região, especialmente nos setores do comércio, indústria e serviços, onde a escala 6x1 ainda é bastante comum. Caso a proposta avance, empresas locais terão que se adaptar a uma nova realidade, enquanto trabalhadores poderão conquistar mais tempo de descanso e convivência familiar.
Resumo do que está em discussão:
- Fim da escala 6x1
- Implantação do modelo 5x2
- Jornada máxima de 40 horas semanais
- Sem redução de salário
E você, é a favor do fim da escala 6x1? Acredita que isso melhora a qualidade de vida ou pode prejudicar a economia?
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