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Sapo que leva o nome do presidente do Brasil deve “apimentar” as discussões sobre criação de Unidade de Conservação no Quiriri

Ideia é se criar uma nova Unidade de Conservação no Quiriri, que abrange 26 quilômetros quadrados de mata nativa - FOTO: ICMBio

 

Ao que tudo indica, a criação de uma Unidade de Conservação Federal na divisa entre o Paraná e Santa Catarina, mais precisamente nos Campos do Quiriri — localizados nos municípios de Joinville, Campo Alegre e Garuva, em Santa Catarina, e Tijucas do Sul e Guaratuba, no Paraná — ainda deve gerar muitos desdobramentos. O assunto veio à tona no ano passado e, desde então, tem ganhado cada vez mais destaque na mídia.

A possibilidade de transformar os Campos do Quiriri em uma área de preservação ambiental tem dividido opiniões em toda a região. No entanto, é correto afirmar que a grande maioria dos moradores da área em questão é contrária à medida. Inclusive, diversos movimentos com o objetivo de barrar a iniciativa já vêm ocorrendo, movimentando os bastidores da política nos municípios que poderão ser afetados.

Diversas reuniões envolvendo a comunidade local já foram realizadas nas cidades impactadas pela possível criação do parque. Ainda assim, a resistência à proposta segue crescendo. Um dos principais argumentos é de que a área já integra uma Área de Proteção Ambiental (APA), o que, na visão de moradores e lideranças, já garantiria sua preservação.

A preocupação das autoridades é de que, com a criação de uma nova Unidade de Conservação, toda a área — que abrange mais de 26 quilômetros quadrados — passe a ser gerida pelo Governo Federal. Estudos preliminares realizados pelos municípios indicam que a medida poderá tornar ainda mais restritiva a lista de atividades permitidas na região, impactando diretamente o planejamento urbano e o desenvolvimento econômico.

Autoridades da região dizem que área em questão já é preservada e apontam para riscos que podem afetar quem vive próximo a serra do Quiriri - FOTO: ICMBio


Além disso, Joinville já conta com a Área de Proteção Ambiental (APA) Serra Dona Francisca, que abrange toda a porção noroeste do município e corresponde a aproximadamente 50% de seu território. Trata-se de uma Unidade de Conservação de Uso Sustentável, criada para proteger a biodiversidade e os recursos naturais, ao mesmo tempo em que permite o desenvolvimento econômico e social da população local.


Quem teve a ideia de criar mais uma Unidade de Conservação?

Conforme dados divulgados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em 1995, a Câmara de Vereadores de Joinville, com uma visão voltada ao desenvolvimento turístico e ambiental do município, solicitou ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) a criação de uma Unidade de Conservação na região. Apesar disso, a proposta não avançou à época.

No entanto, em 2024, o deputado estadual Goura (PR), juntamente com o deputado estadual Marquito (PSOL-SC), retomaram a discussão com base em demandas locais voltadas à potencialização do turismo e à preservação de recursos biológicos e hídricos. A proposta de criação de um Parque Nacional nos Campos do Quiriri e Araçatuba foi apresentada à ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Desde então, a ideia vem ganhando força.


Autoridades da região são contra a criação da Unidade de Conservação

Diversas lideranças políticas da região, como o prefeito de Joinville, Adriano Silva, manifestaram-se contrárias à criação de uma nova Unidade de Conservação nos Campos do Quiriri. Em dezembro do ano passado, o prefeito esteve em Brasília para discutir o tema diretamente com o presidente do ICMBio, Mauro Oliveira Pires.

Na ocasião, Adriano reforçou o posicionamento da prefeitura. “Nossa posição é clara e firme: somos contra este projeto, que só vai gerar dificuldades e insegurança para os moradores de Joinville e da região. A área em estudo já está protegida como uma Área de Proteção Ambiental, e sua preservação está garantida”, informou a assessoria de imprensa.

Os estudos preliminares indicam que a criação do parque poderá tornar ainda mais restritiva a lista de atividades permitidas, impactando o planejamento urbano e o desenvolvimento econômico da região. “O próximo passo, a partir desta reunião, é ampliar o diálogo com o Ministério para mostrar tudo o que já realizamos na região e formalizar o pedido de interrupção imediata deste estudo. Os joinvilenses não podem ser prejudicados por mais burocracia e restrições desnecessárias”, concluiu o prefeito.


Nova espécie de sapo encontrada no Quiriri deve “apimentar” ainda mais as discussões

Em meio à crescente resistência de moradores e autoridades, novos elementos passaram a integrar o debate. Um exemplo é a descoberta de uma nova espécie de sapo na região: o Brachycephalus lulai, nomeado em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e popularmente conhecido como “sapo da montanha”.

Nesta segunda-feira, o portal G1 Paraná destacou o tema em reportagem, apontando que os pesquisadores responsáveis pela descoberta reforçam a importância da conservação da Mata Atlântica na região do Quiriri. Segundo eles, qualquer alteração no ambiente pode impactar diretamente a sobrevivência da espécie, que é endêmica da região.

Como forma de reforçar a relevância da preservação, a espécie recebeu o nome do presidente Lula, que, ao longo de seus mandatos, foi responsável pela criação de mais de 70 Unidades de Conservação no Brasil, entre novas áreas, reclassificações e ampliações.


Resistência quanto a nova Unidade de Conservação vem crescendo 

Enquanto as tratativas para se criar uma nova Unidade de Conservação vem crescendo na região, cresce também a resistência quanto ao projeto. O vereador João Nilson Venera, de Campo Alegre que compõe alguns grupos contrários a medida explica que o maior medo são os prejuízos à comunidade campo-alegrense e das demais cidades que integram a iniciativa. 

Resistência quanto a criação de uma nova UC na região vem crescendo. Autoridades querem provar por A mais B, que a área já é preservada - FOTO: Divulgação


Segundo ele além da área que ficará a responsabilidade do Governo Federal, o projeto pode resultar em uma Zona de Amortização, que pode variar entre dois a 10 quilômetros além da área preservado. “A gente tem trabalhado de forma organizada. Criamos grupos com cabeças pensantes para atuar de forma mais objetiva sobre essa questão do parque. A ideia é provar por A mais B que essa área já é preservada”, disse o vereador a reportagem do Piên em Notícias.


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