Impossível não se comover com a morte de Arlete Caramês Tiburtius, que faleceu aos 82 anos, nesta terça-feira, em Curitiba. Pense em uma dor que nenhuma mãe deveria carregar. A dor de ver um filho sair de casa para dar uma simples volta de bicicleta… e nunca mais voltar.
Foi assim que começou, em 17 de junho de 1991, uma das histórias mais dolorosas do Paraná e do Brasil. Uma dor que atravessou décadas, resistiu ao tempo e só encontrou silêncio nesta semana.
Foram 34 anos de angústia, sofrimento e espera. Mas, em meio a tudo isso, havia algo que nunca morreu: a esperança. A esperança de um reencontro. De um abraço. De uma resposta. Guilherme, com apenas 8 anos, desapareceu — e nunca mais foi encontrado.
E talvez o único consolo possível, para qualquer pai ou mãe que tenta imaginar essa dor, seja acreditar que agora… mãe e filho finalmente se reencontraram. No silêncio do céu, longe da dor que marcou uma vida inteira.
Mas a história de Arlete não é apenas uma dor do passado. Ela é um alerta urgente para o presente. Somente em 2025, o Brasil registrou 23.919 desaparecimentos de crianças e adolescentes. São, em média, 66 crianças desaparecendo por dia.
Números que assustam. Números que muitas vezes passam despercebidos. Números que, por trás de cada caso, escondem histórias como a de Arlete.
O rosto dela, em cada entrevista, dizia tudo. Uma mãe cansada. Exausta. Mas que nunca desistiu. Nunca deixou de procurar. Nunca deixou de acreditar. Quem é pai… quem é mãe… sabe: não existe dor maior. E é justamente por isso que essa história precisa ecoar.
Que ela sirva de alerta. Que sirva de cuidado. Que sirva de consciência. Porque o mundo não é um conto de fadas. E existem perigos reais, silenciosos e cruéis.
Cuidar dos filhos não é apenas um gesto de amor. É um ato de proteção diante de uma realidade que não pode mais ser ignorada. Que a partida de Arlete não seja apenas o fim de uma história — mas o começo de uma consciência.
Que cada pai abrace mais. Que cada mãe vigie mais. Que cada família entenda o valor de cada instante. E que, acima de tudo, a sociedade não se acostume com números,
quando o que está em jogo são vidas. Porque nenhuma estatística deveria carregar o nome de uma criança. E nenhuma mãe deveria partir sem respostas.
Que Arlete descanse em paz. E que sua dor… nunca seja esquecida.
