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| Audiência em Garuva, na noite desta quarta-feira, reuniu mais de 700 pessoas que são contra a criação do Parque FOTO: Prefeitura de Garuva |
Uma proposta que promete preservar o meio ambiente… mas que também tem gerado forte preocupação entre moradores e produtores rurais. A possível criação do Parque Nacional Serras do Araçatuba e Quiriri virou tema central de debate e levou mais de 700 pessoas ao Ginásio Evandro Nagel, em Garuva, na noite desta quarta-feira (8).
A audiência pública, organizada pela Câmara de Vereadores com apoio da Prefeitura, mostrou que o assunto está longe de consenso — e que a comunidade quer ser ouvida. A proposta do parque, articulada com apoio do Ministério do Meio Ambiente e construída por deputados estaduais, prevê a preservação de áreas importantes da Serra do Mar, incluindo nascentes de água, campos de altitude e pontos turísticos naturais.
Ao todo, são cerca de 32 mil hectares envolvidos, abrangendo municípios de Santa Catarina e Paraná, como Joinville, Campo Alegre, Guaratuba e Tijucas do Sul. Mas é justamente em Garuva que está a maior fatia da área: 18,4 mil hectares, o que representa 37,2% de todo o território do parque.
Comunidade se levanta contra impactos
Durante o encontro, moradores, agricultores e lideranças foram diretos: o medo é real. Entre os principais pontos levantados estão a restrição no uso das terras, impacto direto na economia local, insegurança jurídica para famílias produtoras e risco à continuidade da atividade agrícola.
A ausência presencial do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade também gerou críticas. O órgão, responsável pela proposta, participou apenas por meio de vídeo. Um dos momentos mais marcantes foi a fala do pároco Luciano Toller, de São Bento do Sul, que tem raízes na agricultura e reforçou a importância de ouvir quem vive da terra. O padre criticou a ausência de representantes da ICMBIO e relembrou dos tempos em que cultiva tomate em Pirabeiraba.
Prefeitura de Garuva é contra o projeto
O prefeito Plotino de Bitencourt foi enfático ao se posicionar contra a criação do parque. “Defender o meio ambiente também é defender as pessoas que vivem aqui", dise. A fala foi aplaudida por muitos presentes, reforçando o clima de insatisfação com a proposta. “Garuva já tem compromisso com a preservação ambiental e faz isso com responsabilidade, planejamento e respeito à realidade local. Somos contra a criação do parque porque entendemos que essa proposta pode trazer impactos negativos ao município, às famílias e a quem vive do trabalho nesta região. Defender o meio ambiente também é defender as pessoas que estão aqui”, completou.
Mobilização contra criação do parque ganha cada vez mais força
Ao final da audiência, ficou definido que todas as manifestações e documentos serão encaminhados ao Ministério do Meio Ambiente. A intenção é clara: garantir que a voz da comunidade seja considerada antes de qualquer decisão. Além disso, o movimento contrário ao parque segue crescendo e já mobiliza moradores de diversas cidades da região.
Apesar da resistência, a proposta também tem seus defensores. Entre os argumentos favoráveis estão a proteção de nascentes que abastecem cidades, conservação de áreas naturais sensíveis, incentivo ao turismo sustentável e a preservação ambiental para futuras gerações. O projeto ainda está em fase de estudos, iniciados em novembro de 2025, e não há prazo definido para conclusão.
O que era um projeto ambiental agora se transformou em um dos temas mais debatidos da região. De um lado, a preservação da natureza. Do outro, o direito de quem vive e produz no campo. E a pergunta que fica é: É possível conciliar desenvolvimento, preservação e o sustento das famílias? A resposta ainda está em construção… mas uma coisa é certa: a comunidade já mostrou que não vai ficar em silêncio.
