Representantes de entidades ligadas aos produtores de tabaco do Sul do Brasil estiveram reunidos nesta segunda-feira (12), em Brasília, com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), para discutir os impactos negativos causados pelas tabelas individuais de preços praticadas pelas empresas fumageiras. As informações foram divulgadas pela Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra).
A comitiva foi formada por representantes da Afubra, Federação da Agricultura e Pecuária de Santa Catarina (Faesc), além das federações dos trabalhadores rurais do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O grupo foi recebido pelo presidente do Cade, Diogo Thomson de Andrade, e pelo chefe de gabinete, Paulo Henrique de Oliveira.
Segundo as entidades, o atual modelo de negociação com tabelas separadas por empresa tem causado insegurança, falta de previsibilidade e desequilíbrio econômico aos produtores de tabaco. Os representantes defendem a possibilidade de retomada de uma tabela mínima única de preços, construída de forma transparente entre produtores e indústria, semelhante ao sistema adotado até a safra 2008/2009.
Conforme os dados apresentados durante a reunião, na safra 2025/2026 a diferença entre a melhor e a pior tabela de preços ultrapassou 10%, aumentando ainda mais a preocupação dos agricultores. As entidades afirmam que muitos produtores acabam firmando contratos com mais de uma empresa para tentar diminuir os riscos e garantir melhor remuneração pela produção.
A situação preocupa especialmente municípios produtores da região Sul, como Piên, onde o tabaco continua sendo uma importante fonte de renda para centenas de famílias rurais. Nos últimos anos, produtores vêm relatando crescente desânimo com a atividade diante da alta dos custos de produção e da pouca valorização do produto.
Em entrevistas realizadas anteriormente pelo portal Piên em Notícias, agricultores já afirmavam que não venderiam o tabaco por menos de R$ 25 o quilo. Porém, na atual safra 2025/2026, muitos produtores relatam que os valores médios pagos ficaram bem abaixo disso, mesmo com o aumento expressivo nos custos com adubos, defensivos agrícolas, lenha, mão de obra e demais insumos.
Outro ponto levantado é que a tabela de preços acaba servindo apenas como referência, já que, na prática, o valor pago pode variar bastante no momento da classificação do produto, ficando muitas vezes abaixo da expectativa dos agricultores.
As entidades solicitaram ao Cade esclarecimentos sobre a possibilidade jurídica de retomada de uma negociação coletiva com o SindiTabaco, buscando maior estabilidade e previsibilidade ao setor.
De acordo com a Afubra, o resultado da reunião foi considerado positivo. Segundo os representantes, o presidente do Cade sinalizou que existe espaço para diálogo e para uma possível autorização de negociação conjunta de uma tabela mínima única para os produtores. Agora, as entidades deverão encaminhar documentação complementar para análise do colegiado do órgão.
Participaram da reunião representantes da Afubra, Fetag, Fetaesc, Faesc e Fetaep, além do deputado federal Heitor Schuch e assessoria jurídica da CNA.

