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| A mobilização reuniu agricultores familiares, lideranças sindicais, entidades representativas e parlamentares Foto : Ketruin Jardela / Ascom Fetag/RS / Divulgação / CP |
O mercado fumageiro segue vivendo um momento de forte tensão no Sul do Brasil. Depois da grande mobilização registrada recentemente em Camaquã, no Rio Grande do Sul, novos protestos voltaram a reunir milhares de produtores nesta semana, desta vez em Santa Cruz do Sul — considerada uma das principais referências do setor tabagista no país.
Na segunda-feira (25), mais de dois mil fumicultores participaram de uma mobilização organizada pela Fetag-RS, cobrando valorização da produção, preços mais justos e melhores condições para as famílias agricultoras que dependem da cultura do tabaco para sobreviver.
O ato reuniu produtores de diversas regiões gaúchas, além de lideranças sindicais, entidades representativas e parlamentares ligados ao setor agrícola. Segundo a Fetag-RS, o principal objetivo foi chamar atenção para a crescente insatisfação dos fumicultores diante da queda na rentabilidade da atividade, em um cenário marcado pelo aumento dos custos de produção e pela redução nos valores pagos pelas fumageiras.
De acordo com a entidade, muitos agricultores vivem atualmente um clima de insegurança e preocupação durante a comercialização da safra. “O agricultor familiar está sentindo na pele o receio da comercialização e a angústia de não saber como estará o preço do tabaco a cada dia”, destacou a direção da Fetag-RS durante a mobilização.
Situação preocupa produtores de Piên e região
A realidade enfrentada pelos fumicultores gaúchos também reflete diretamente em municípios do Paraná e do Planalto Norte catarinense, como Piên, Agudos do Sul, Quitandinha, Rio Negro e região, onde centenas de famílias dependem da cultura do tabaco como principal fonte de renda.
Nos últimos anos, produtores vêm relatando dificuldades cada vez maiores para manter a lucratividade da atividade, principalmente devido ao aumento expressivo dos custos com insumos, mão de obra, lenha, defensivos, energia elétrica e financiamento agrícola.
Enquanto isso, muitos agricultores afirmam que o valor pago pelo produto não acompanha essa alta nos custos, reduzindo significativamente a margem de lucro das propriedades rurais.
Protesto em Camaquã também chamou atenção
Ainda neste mês, outro grande protesto já havia sido registrado em Camaquã (RELEMBRE OS FATOS), no Rio Grande do Sul, repercutindo fortemente em toda a cadeia produtiva do tabaco.
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| Mês de maio foi marcado por outras manifestações quanto a desvalorização dos produtores rurais no Rio Grande do Sul, como ocorrido em Camaquã, no último dia 15 |
Na ocasião, produtores se mobilizaram reivindicando melhores preços para a safra, maior valorização da classificação do produto e mais respeito aos agricultores familiares durante as negociações com as empresas fumageiras.
As manifestações ganharam força nas redes sociais e chamaram atenção de fumicultores de diversos estados do Sul do país, inclusive produtores de Piên e região, que acompanham com preocupação o atual cenário do setor.
Reunião com o SindiTabaco
Durante a mobilização em Santa Cruz do Sul, representantes da Fetag-RS participaram de uma reunião com o SindiTabaco e empresas do setor fumageiro. No encontro, foram discutidas alternativas para tentar reduzir os impactos causados pelo atraso na comercialização e pelas dificuldades enfrentadas pelos produtores.
Segundo as entidades, fatores externos também vêm influenciando diretamente o mercado, como:
- aumento da produção em outros continentes;
- maior oferta da safra;
- desvalorização do dólar frente ao real;
- comercialização mais lenta;
- redução nos preços pagos ao produtor.
Ainda conforme a Fetag-RS, as empresas sinalizaram abertura para diálogo e novas reuniões deverão ocorrer nos próximos dias para aprofundar discussões relacionadas ao processo de classificação, protocolos e negociação do tabaco.
“O produtor precisa ser valorizado”
Ao final da mobilização, a Fetag-RS reforçou que continuará acompanhando a situação e não descartou novos protestos caso os agricultores continuem enfrentando dificuldades.
“Seguiremos firmes na luta em defesa dos fumicultores e da agricultura familiar. O produtor precisa ser valorizado e respeitado dentro da cadeia produtiva”, destacou a entidade.
A mobilização ocorreu justamente no Dia do Trabalhador Rural e simbolizou a força das famílias agricultoras, que seguem desempenhando papel fundamental na economia de centenas de municípios do Sul do Brasil.


