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| Copel terá agora um prazo de 30 dias para apresentar um plano de ação sobre as frequentes quedas de energia registradas no estado - FOTO: Divulgação |
A população de Piên e região conhece bem o drama de ficar horas — e muitas vezes até dias — sem energia elétrica, principalmente durante períodos de temporais e na época de secagem do tabaco, quando produtores rurais dependem diretamente do fornecimento contínuo de energia para manter a produção. Todos os anos, fumicultores acumulam prejuízos milionários por conta das constantes interrupções no fornecimento, situação que já foi alvo de campanhas, audiências e inúmeras reclamações, mas que, segundo moradores e produtores, continua sem solução definitiva.
Diante das constantes reclamações em todo o Paraná, a Companhia Paranaense de Energia (Copel) terá agora um prazo de 30 dias para apresentar um plano de ação sobre as frequentes quedas de energia registradas no estado. A definição ocorreu durante uma audiência pública realizada no Senado Federal, na terça-feira (5), reunindo representantes da indústria, do agronegócio e autoridades ligadas ao setor elétrico. As informações são do G1 Paraná.
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| Produtores de tabaco tentam até os dias atuais serem ressarcidos de prejuízos por conta na interrupção no fornecimento de energia, durante épocas de secagem de tabaco FOTO: Arquivo Piên em Notícias |
A audiência foi motivada pelos inúmeros relatos de prejuízos causados pelas falhas no fornecimento de energia elétrica. Um dos casos citados ocorreu em uma granja de São Miguel do Iguaçu, no Oeste do Paraná, onde cerca de 20 mil frangos morreram após uma queda de energia, causando enormes perdas ao produtor.
Na região de Piên, o cenário também preocupa. Em anos anteriores, produtores de tabaco chegaram a perder grande parte da produção por conta das interrupções no fornecimento de energia justamente durante o processo de secagem das folhas. Em fevereiro deste ano, fumicultores da região relataram prejuízos severos após sucessivas quedas de energia durante temporais.
O documento que será elaborado pela Copel deverá ser entregue à Comissão de Infraestrutura do Senado Federal. Já a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) também ficou responsável por criar um plano de fiscalização para acompanhar a situação no Paraná.
Durante a audiência, representantes do setor produtivo demonstraram preocupação com a insegurança causada pelas falhas constantes. O presidente da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Ágide Eduardo Meneguette, destacou os prejuízos enfrentados pelos produtores rurais em diversas regiões do estado.
Segundo dados da Aneel, o consumidor paranaense ficou, em média, sete horas sem energia em 2025, dentro do limite regulatório. No entanto, representantes da indústria afirmam que a realidade em muitos municípios é ainda pior. O diretor da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), João Arthur Mohr, afirmou que até interrupções rápidas já são suficientes para comprometer linhas de produção e causar prejuízos.
A Aneel também confirmou aumento nas reclamações contra a Copel, o que levou à definição de ações de fiscalização técnica previstas para o segundo semestre deste ano.
Já o diretor-geral da Copel, Antônio Villela de Abreu, atribuiu parte dos problemas ao aumento de eventos climáticos extremos, como tempestades e vendavais, além de destacar investimentos em ampliação da rede elétrica, contratação de eletricistas e criação de canais específicos para atendimento ao setor rural.
Outro assunto debatido durante a audiência foi o possível aumento na tarifa de energia elétrica. A revisão tarifária da Aneel, realizada a cada cinco anos, poderá elevar a conta de luz em até 19% para consumidores em geral a partir de junho. Em alguns segmentos industriais, o reajuste pode chegar a 51%.
O tema gerou forte debate entre os participantes, que questionaram a relação entre o aumento da tarifa e a qualidade do serviço prestado pela companhia.
A Copel informou que o plano de ação em elaboração prevê novos investimentos, principalmente nas áreas rurais, além de medidas para reforçar o sistema elétrico antes do período de maior incidência de chuvas e temporais, entre setembro e outubro.

