![]() |
| Durante a mobilização, produtores assinaram um ofício encaminhado às empresas fumageiras solicitando maior valorização da classe produtora de tabaco - FOTO: Reprodução Internet |
A crescente insatisfação dos produtores de tabaco com a atual safra vem provocando uma onda de mobilizações em diversas regiões produtoras do Brasil. Reclamações envolvendo a desvalorização do produto, classificações consideradas rigorosas por parte das empresas fumageiras e até a importação de tabaco de países vizinhos têm gerado revolta entre fumicultores que afirmam estar acumulando prejuízos milionários.
Na última semana, um protesto realizado em Camaquã, no Rio Grande do Sul, chamou atenção do setor. Produtores rurais, lideranças e autoridades políticas participaram de um ato contra as empresas fumageiras, alegando perdas que chegam a R$ 140 por arroba em determinados casos.
![]() |
| Manifestação em Camaquã reuniu lideranças do setor e até políticos |
Durante a mobilização, produtores assinaram um ofício encaminhado às empresas fumageiras solicitando maior valorização da classe produtora de tabaco. No documento, os fumicultores destacam a importância econômica e social da atividade para milhares de famílias agricultoras e cobram medidas urgentes diante do aumento dos custos de produção.
Entre os principais pedidos apresentados no documento estão:
- maior valorização no preço pago ao produtor;
- revisão das classificações aplicadas ao produto entregue;
- mais transparência nos processos de avaliação e comercialização;
- condições mais justas aos produtores rurais;
- respeito e reconhecimento ao trabalho das famílias produtoras de tabaco.
Segundo os produtores, os custos com mão de obra, insumos agrícolas, fertilizantes, transporte e demais despesas aumentaram drasticamente nos últimos anos, enquanto o preço pago pelo tabaco não acompanha essa realidade.
Situação preocupa produtores de Piên e região
Em Piên, Agudos do Sul, Mandirituba, Rio Negro e diversas cidades do Paraná e Santa Catarina, o clima também é de preocupação e indignação. Produtores relatam que, em muitos casos, o valor recebido pela safra não cobre sequer os custos de produção.
A situação gera apreensão principalmente pelo fato de a região ser reconhecida nacionalmente pela produção de um tabaco de alta qualidade. Mesmo com o reconhecimento da excelência do produto cultivado na região Sul, muitos agricultores afirmam que os preços vêm caindo nos últimos anos.
Outro fator que preocupa as famílias do campo é o vencimento de financiamentos rurais ainda neste mês, cenário que pode aumentar o endividamento dos produtores e afetar diretamente a economia regional, já que a fumicultura movimenta o comércio, gera empregos e mantém milhares de famílias no meio rural.
Nova mobilização marcada para o dia 25 no RS
Em meio ao aumento da pressão sobre o setor, produtores e produtoras de diversas regiões do Rio Grande do Sul estão sendo convocados para uma grande mobilização estadual em defesa da cadeia produtiva do tabaco.
O ato está marcado para o próximo dia 25 de maio, em Santa Cruz do Sul, com concentração em frente ao Parque da Oktoberfest, a partir das 9h30. A expectativa é reunir fumicultores, lideranças e representantes da agricultura familiar para demonstrar a força do setor e cobrar maior valorização da atividade.
Os organizadores afirmam que a participação dos produtores será fundamental para defender a continuidade de uma atividade considerada estratégica para o desenvolvimento econômico de centenas de municípios do Sul do Brasil.
Afubra cobra mudanças na comercialização
Diante da pressão crescente dos produtores, a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) também se manifestou oficialmente nesta semana.
Na segunda-feira (18), a sede da entidade, em Santa Cruz do Sul/RS, recebeu uma reunião extraordinária do Fórum Nacional da Integração (Foniagro), reunindo representantes dos fumicultores, o SindiTabaco e empresas fumageiras para discutir os problemas enfrentados na comercialização da atual safra.
Segundo o presidente da Afubra, Marcilio Drescher, as entidades vêm recebendo diversos relatos de dificuldades enfrentadas pelos produtores no momento da venda do tabaco. “A representação dos produtores chamou o Foniagro para deixá-lo a par da situação e relatar como os fatos estão acontecendo no campo. As dificuldades foram expostas e, agora, cabe ao setor tomar as providências”, afirmou Drescher.
A expectativa das entidades é que medidas sejam adotadas nos próximos dias para garantir mais transparência, equilíbrio e segurança aos produtores durante o processo de comercialização da safra. Enquanto isso, cresce entre os fumicultores o sentimento de revolta e insegurança quanto ao futuro da atividade, considerada uma das principais fontes de renda para milhares de famílias do Sul do país.

