A Prefeitura de Curitiba anunciou nesta segunda-feira (1º) a criação de um comitê especial para coordenar ações de prevenção e resposta aos possíveis impactos do fenômeno El Niño na capital paranaense. A medida surge diante das previsões que apontam a possibilidade da formação de um “Super El Niño” nos próximos meses, cenário que preocupa autoridades e especialistas por conta do aumento do risco de chuvas intensas, enchentes e deslizamentos em toda a região Sul do Brasil.
O grupo será responsável por integrar diferentes secretarias e órgãos municipais, realizando monitoramento constante das condições climáticas, planejamento de ações emergenciais e definição de estratégias para minimizar possíveis tragédias ambientais.
Segundo o prefeito Eduardo Pimentel, a cidade já vem se preparando há anos para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas, mas o trabalho deverá ser intensificado diante das previsões climáticas para os próximos anos.
Além das secretarias municipais, o comitê contará com participação da Defesa Civil, do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), da Fundação de Ação Social (FAS) e de outros órgãos ligados à infraestrutura, meio ambiente e segurança.
Entre as ações anunciadas pela prefeitura estão investimentos em drenagem urbana, limpeza e desassoreamento de rios e córregos, recuperação de galerias pluviais e ampliação de estruturas conhecidas como “parques-esponja”, que ajudam a armazenar grandes volumes de água da chuva para reduzir alagamentos.
Dois novos projetos devem reforçar esse sistema: uma bacia de contenção no Rio Mossunguê, no bairro Campo Comprido, e outras estruturas no Rio Atuba, na região do Santa Cândida. Juntas, as obras terão capacidade para armazenar cerca de 179 mil metros cúbicos de água.
A prefeitura também informou que mantém cerca de 35 equipes diariamente nas ruas realizando manutenção da rede pluvial e limpeza de rios e galerias. Somente entre obras em andamento, projetos futuros e ações de rotina, os investimentos previstos entre 2025 e 2028 passam de R$ 500 milhões.
Outra novidade será o fortalecimento dos sistemas de alerta à população. A Defesa Civil pretende ampliar os avisos regionalizados enviados por aplicativos da prefeitura e monitorar em tempo real áreas consideradas de risco.
O fenômeno El Niño é provocado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial e costuma alterar o clima em diversas regiões do planeta. No Sul do Brasil, normalmente provoca aumento das chuvas e favorece eventos extremos.
Especialistas internacionais, incluindo órgãos meteorológicos dos Estados Unidos, apontam alta probabilidade de formação de um evento climático mais intenso nos próximos meses, podendo se estender até 2027.
