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Mulher vira ré por homicídio qualificado após morte do companheiro em São Bento do Sul

MPSC acusa jovem de 22 anos de matar Emanuel Natã dos Santos, crime teria ocorrido na presença do filho do casal, de apenas 3 anos - Foto: Divulgação / Redes Sociais

REGIÃO - SÃO BENTO DO SUL

O caso que chocou São Bento do Sul em abril deste ano teve um novo desdobramento. O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) denunciou uma mulher de 22 anos pelos crimes de homicídio qualificado e lesão corporal, praticados em contexto de violência doméstica. A denúncia foi recebida pela Justiça e, com isso, a acusada passou oficialmente à condição de ré em ação penal.

A denúncia foi apresentada pela 2ª Promotoria de Justiça da Comarca de São Bento do Sul. O Ministério Público pede que a mulher seja submetida a julgamento pelo Tribunal do Júri e também requer a fixação de uma indenização mínima de R$ 100 mil a título de reparação de danos.

Segundo a acusação, os fatos aconteceram na madrugada de 3 de abril de 2026, durante uma discussão envolvendo a ré e o companheiro, Emanuel Natã dos Santos, de 28 anos.

De acordo com o MPSC, a mulher teria agredido Emanuel com empurrões e tapas, fazendo com que ele caísse no chão. Na sequência, ainda conforme a denúncia, ela teria desferido ao menos um chute na região do pescoço do companheiro.

O golpe teria feito Emanuel perder os sentidos. Ele chegou a receber atendimento do Corpo de Bombeiros e foi encaminhado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Colonial, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

Além do homicídio, a mulher também é acusada de agredir, na mesma ocasião, uma idosa de 70 anos, que teria sofrido puxões e empurrões. Conforme o Ministério Público, as agressões provocaram escoriação e equimose nos braços da vítima.


MPSC aponta homicídio qualificado

Para a Promotora de Justiça Gabriela Arenhart, o homicídio deve ser considerado qualificado pelo recurso que dificultou a defesa da vítima, além da incidência da agravante prevista para crime cometido contra companheiro.

Já a acusação de lesão corporal é qualificada pelo contexto de violência doméstica envolvendo uma pessoa idosa.

Com o recebimento da denúncia, começa agora a tramitação da ação penal. O MPSC pretende levar a ré ao Tribunal do Júri, responsável pelo julgamento dos crimes dolosos contra a vida. O recebimento da denúncia, porém, não representa condenação; a acusada terá direito à defesa e ao contraditório durante o processo.


RELEMBRE OS FATOS

O caso ocorreu na madrugada de sexta-feira, 3 de abril, em uma residência no bairro Oxford, em São Bento do Sul. Conforme noticiado pelo Piên em Notícias na época, a Polícia Militar foi acionada após uma briga dentro da residência. Emanuel foi encontrado gravemente ferido, recebeu os primeiros atendimentos e foi levado à UPA do Colonial, onde morreu.

A mulher, então com 22 anos, foi presa em flagrante no local. Na ocasião, a versão apresentada por ela era de que a discussão teria começado após encontrar uma foto íntima no celular do companheiro. Segundo o relato dado naquele momento, os dois teriam discutido e a situação evoluído para agressões físicas.

Familiares de Emanuel, porém, contestaram essa versão e relataram que ele teria sido agredido inclusive quando já estava caído. Um dos pontos que mais causou comoção foi o fato de que o filho do casal, de apenas 3 anos, teria presenciado a cena. Os avós de Emanuel também estariam na residência.

Naquele momento, o caso ainda estava sob investigação da Polícia Civil e a dinâmica exata da morte seria apurada. Agora, mais de quatro meses depois, a denúncia do Ministério Público apresenta a versão formal da acusação: Emanuel teria sido derrubado durante as agressões e, já no chão, atingido com ao menos um chute no pescoço, ferimento que teria provocado a perda de consciência e, posteriormente, sua morte.

Com a denúncia aceita pela Justiça, o caso entra em uma nova fase e a jovem responderá criminalmente pelas acusações apresentadas pelo Ministério Público.

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